sábado, 21 de fevereiro de 2015

O ataque do bando de Lampião a José de Esperidião em Varzinha





Em 25 de novembro de 1926, um dia antes da Batalha da Serra Grande, o bando de Lampião atacou José de Esperidião, na fazenda Varzinha, município de Serra Talhada - PE. Nessa ocasião, sua residência estava com algumas visitas, as quais foram cumprimentar Rosa Cariri, esposa de José de Esperidião, por ter dado luz a uma criança, que estava com sete dias de nascido.
Rosa Cariri, ao avistar, de longe, alguns cangaceiros avisou ao marido, alertando-o para que se retirasse. José de Esperidião perguntou:
- Quantas pessoas você acha que vêm?
Ela respondeu: 
- Uns vintes homens. 
Ele disse: 
- Não corro com medo de vinte homens.
José de Esperidião pegou seu rifle e dois bornais de balas e ficou entrincheirado no quarto.
Quando os cangaceiros chegaram deram boa tarde e perguntaram:
- José de Esperidião está?
Lá de dentro ele respondeu:
- Estou aqui.
Os cangaceiros disseram:
- Venha para fora, precisamos conversar.
José respondeu:
- Já estamos conversando, eu não vou sair e vocês também não vão entrar.
Quando as pessoas presentes notaram que estavam diante do bando de Lampião, começou a correria, o pavor foi tanto, que algumas mulheres pularam pelas janelas. Os cangaceiros perceberam que José de Esperidião não sairia e começou o tiroteio. O recém-nascido, José Pereira Lima (Cazuza), filho da vítima, estava deitado em uma rede na sala e foi baleado nos dois pés (o mesmo estava com os pés cruzados). De toda ribeira ouviam-se os tiros e a maioria dos habitantes da localidade abandonaram suas casas e foram se refugiar na caatinga.
Lampião ficou sentado na calçada da casa de Agostinho Bezerra, próximo ao local. O ataque foi coordenado por Antônio Ferreira, motivado por uma vingança de um assassinato cometido por José de Esperidião na Serra Negra, no município de Floresta. Quando Lampião percebeu que o caso era demorado, foi aguardar o desfecho deitado em uma rede no alpendre da casa de Braz Estevão, um pouco mais distante do local do ataque.




Segundo relatos do escritor João Gomes de Lira, os cangaceiros chegaram à casa de José de Esperidião por volta de uma hora da tarde. O tiroteio durou a tarde inteira. “Às seis horas da tarde, um cangaceiro foi até onde estava Lampião, para dizer que José de Esperidião era valente; uma fera, até parece que não morre. Assim, o que deviam fazer? Lampião respondeu e determinou que arrancassem as cercas do curral, apinhassem a madeira no pé da parede em volta da casa e tocasse fogo".




O fogo destruiu toda madeira do telhado, ficou apenas as paredes em pé, no dia seguinte, uma mulher moradora da localidade, foi a primeira pessoa a entrar no recinto, pulando por cima de brasas e cinza, conseguiu chegar ao quarto da casa, onde tombou o corpo de José de Esperidião, com seu rifle na mão, bala na agulha e o dedo no gatilho. Quando a mulher pegou e puxou e rifle, o mesmo disparou. Em uma conversa informal do historiador Frederico Pernambucano de Mello, ele afirmou que, José de Esperidião era homem valente, mesmo depois de morto ainda conseguiu atirar.
Quando retiraram o corpo de José de Esperidião para fazer o sepultamento, não encontraram marcas de balas no corpo dele, portanto, chegou-se à conclusão de que a morte fora por asfixia provocada pela fumaça.
José Pereira Lima, filho da vítima, ficou com uma marca no pé pelo resto de sua vida. Geralmente, quando ia comprar sapatos, adquiria dois pares, um par 41 e outro par 42, pois um pé ficara menor.





Conforme consta no livro, Memórias de um Soldado de Volante, de João Gomes de Lira, “Ao cair da tarde daquele dia, a Força que vinha distante, ouviu as últimas descargas do fogo dos bandidos contra José de Esperidião. Quando ali chegou, na manhã seguinte, só encontrou o tristíssimo quadro”.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O CORONEL JOSÉ PEREIRA LIMA E A FAZENDA ABÓBORAS






Coronel José Pereira Lima 


O Coronel Braz Nunes de Magalhães foi proprietário por herança, da fazenda Abóboras. Alguns anos mais tarde o Coronel Marçal Florentino Diniz, de Princesa Isabel – PB adquiriu por compra para explorar a pecuária. 

Alexandrina, filha do Coronel Marçal, contraiu matrimonio com José Pereira Lima. Este havia abandonado os estudos universitários para assumir a direção política de Princesa Isabel – PB, em virtude do falecimento do pai. O Coronel José Pereira foi deputado estadual na Paraíba por 16 anos. Era um fidalgo no trato com as pessoas e elegante no modo de se vestir. Amigo e correligionário de Epitácio Pessoa, então Presidente da República, fez parte da comissão de recepção ao Rei Baldoino, da Bélgica, que veio participar, em 1922, das comemorações do centenário da Independência do Brasil.

Por razões ligadas a distribuição de vagas para deputado federal, José Pereira rompeu com o governador da Paraíba o Dr. João Pessoa. As hostilidades foram inevitáveis, mas o caudilho reagiu contando com o apoio do Presidente da Republica, Washington Luiz que lhe mandou armas e munição para uma revolução civil que deporia o Governador. Foram recrutados homens em todo sertão. Creio que Vila Bela lhe mandou o maior contingente, porque algumas lideranças locais apoiaram-no incondicionalmente. O município de Princesa foi transformado em “território livre”.

Com o assassinato do Governador João Pessoa em Recife, o Coronel José Pereira ficou em pânico. Retirou-se de Princesa, esteve na Fazenda Abóboras em Serra Talhada, escondeu-se em uma furna da serra do Mucuitu e dali se transferiu para o estado de Alagoas. Providenciou um burro com carga de redes, mudou o nome para Antônio Pedro, atravessou o rio São Francisco em uma canoa, chegando à cidade de Santo Antônio da Glória na Bahia.

Refeito das angústias dos primeiros meses, deu rédeas ao burrico, seguindo trilhas ao arrepio das águas do São Francisco. Viagem penosa, porém chegou com vida às proximidades de Santa Maria da Boa Vista. Outra vez usando canoa alcançou as barrancas pernambucanas do “Velho Chico”. Desejava chegar ao engenho Roncador, em Barbalha – CE, do Coronel João da Cruz, cujo genro José Bezerra Leite era seu amigo desde o tempo em que morava em Triunfo. Ao apertar a mão de Bezerra Leite respirou aliviado. Diz o autor: “Eu conheci pessoalmente o quarto do Coronel naquele engenho. Ambiente bucólico e saudável onde só lhe faltou o aconchego da família”.

Depois da anistia que lhe foi concedida, José Pereira chegou a Serra Talhada, onde construiu uma confortável residência e lá recebia os seus melhores amigos do tempo da “revolta”.

Como houvesse avalizado, em Princesa Isabel, perante uma empresa de combustíveis, os negócios de um amigo que falira, revendedor de gasolina e óleo, José Pereira teve seus bens arrestados (embargados) para cobrir o valor do aval. Os imóveis e benfeitorias foram praticamente destruídos, em face do abandono a que ficaram relegados.

Posteriormente, a empresa perdeu em última instância judiciária uma ação indenizatória de CR$4.440.000,00. O Coronel foi ao Rio de Janeiro receber o cheque desse valor. Em seu retorno a Pernambuco foi surpreendido por uma crise aguda de apêndice, e como não resistiu à infecção generalizada, faleceu em Recife.


Do livro: Serra Talhada 250 Anos de História, 150 anos de Emancipação Política.
De: Luiz Lorena

 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Deputado Gonzaga Patriota faz homenagem aos 100 anos de Moacir Godoy







Discurso pronunciado pelo Deputado Gonzaga Patriota – PSB/PE

Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,

No último dia 22 de julho, aconteceu a passagem do Centenário de Nascimento do Senhor Moacir Godoy do município de Serra Talhada, no Sertão do querido Estado de Pernambuco. Moacir Godoy que faleceu aos 83 anos, sempre foi uma referência nessa cidade do interior pernambucano.
Aproveito a oportunidade, Senhor Presidente, para encaminhar aos familiares do Senhor Moacir Godoy, meus sinceros cumprimentos pela passagem do aniversário de 100 anos, desse importante homem e solicito a transcrição nos anais dessa Casa dos dados referentes ao mesmo:
Nome: Moacir Godoy Diniz
Natural de Serra Talhada- local em que morou, constituiu família e trabalhou ao longo de toda a sua vida, evidenciando o seu desvelo e amor às coisas da sua terra.
Data de nascimento: 22 de julho de 1913.
Data do casamento: 21 de dezembro de 1938.
Data falecimento: 05 de outubro de 1996 (aos 83 anos).

Família:
Filiação: Joaquim Godoy Lima e Laura Diniz Godoy (Iaiá).
Irmãos: 7 - Maria Alice, Stela, Maria de Lourdes, Maria Auxiliadora, Maria do Socorro, Terezinha e Maurício.

Esposa: Iracy Curchatuz de Godoy – Tesoureira da Prefeitura Municipal.
Filhos: 7 nomes: Edna Maria (falecida), Joaquim Antônio, Eliane, Ezilda Maria, Eracy Maria, Elba Maria e Elenice Maria.
Netos: 19 - nomes: Ricardo Jorge, Georgiana, Nilda, Juliana, Taciana, Eduardo Henrique, Paulo Ricardo, Ana Paula, Ana Helena, Ana Gabriela, Alexandre, Gustavo, Ana Beatriz, Luciana, Leonardo, Leandro, Renata, Isabel, Mário.
Bisnetos: 24 - nomes: Bruna Nayara, Ricardo Jorge, Barbara, Guilherme, Natalia, Diego, Ana Laura, Napoleão, Carolina, Catarina, Mariana, Claudio, Alexandre, Enrico, Vitor, Maria Paula, Maria Manoela, Rafael, Marcela, Gabriel, Lucas, José, Julia, Leandro.

Mandatos:
- Prefeito eleito: 1951 a 1955 (2ª Legislatura, livro de Ata nº 02) Partido: PSD-Partido Social Democrático.
- Vereador e Vice Presidente da Câmara Municipal: 11/11/1959 a 10/11/1963 (4ª Legislatura, livro de Atas 03).
- Vereador: 31/01/1969 a 30/01/1973 (6ª Legislatura).

Obras realizadas ou iniciadas quando Prefeito:
- Instalou serviços de saneamento básico e iluminação pública.
- construiu o Hospital Regional Prof. Agamenon Magalhães.
- construiu o Ginásio Cônego Torres
- Criou a Escola Comercial Joaquim Godoy - Curso de Contabilidade.
- Construiu o Prédio da Prefeitura na Av. Cel. Cornélio Soares.
- Abriu a Av. Agostinho Magalhães.
- construiu a Praça Gov. Agamenon Magalhães.
- Construiu 2 centros de Saúde e Puericultura.

Empresário no ramo de comércio:
Comerciante desde a adolescência foi proprietário da casa comercial que foi conhecida como “a bodega de Moacyr” que depois foi ampliada e passou a ser mercearia e loja de tecidos, presentes, brinquedos, material elétrico, eletrônico e de construção.
- Loja: A Helvética.
- Torrefação de Café Jataí.
- Curtume.

Destaques no ramo comercial:
- inscrição na fazenda municipal nº 1.
- inscrição no BNB - 1º do município.
- Philips - homenageado com placa de 58 anos como representante.
- Pirelli - o mais antigo representante na região.
Clubes/Associações:
- Associação Comercial de PE – Serra Talhada – fundou e foi o 1º presidente.
- CDL / Serra Talhada – membro.

Algumas considerações na sua trajetória de vida:
1950 – Realizou a 1ª Festa do algodão em Serra Talhada - grande evento, de prestígio nacional, considerando que Serra Talhada à época, era um grande polo de produção algodoeira.
Participou de toda a negociação para trazer o Banco do Brasil para Serra Talhada.
Pacificador: as discórdias acontecidas entre famílias ou na política local tinham como sede de consenso a sua casa, onde vivia, no nº 802 da Praça Sergio Magalhães.
Incentivador: ajudou muitas pessoas a ingressarem na carreira política, comercial, administrativa e artística.
Rigoroso em relação à ética, à honestidade com a coisa pública, era ouvido e respeitado nas suas opiniões pelo bom senso que possuía.
A loja não servia apenas para auferir lucros, foi mais para manter a família e ajudar amigos e pessoas carentes.
A Calçada de Moacyr: famoso ponto de encontro da comunidade local, que todas as noites se reunia para conversar temas diversos, principalmente sobre a velha e querida política, onde até os adversários se tornavam amigos.
Frases de um homem sábio, que marcaram:
“Carro é para vencer distancias, não encurtar a vida” – aconselhando a não entrar em ruas na contramão do transito.
“Bens materiais a gente recupera, a vida não” – desapego a bens materiais.

Família de tradição política:
Governadores: Agamenon Magalhães e Roberto Magalhães.
Deputado Federal: Milvernes Cruz Lima.
Deputados Estaduais: Methodio, Afrânio e Ribeiro Godoy.
Vereador do Recife e Secretário de Estado: Mauro Godoy.

Deputado Gonzaga Patriota

Fonte: OPINIÃO TRIUNFO

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Serra Talhada comemora chegada de Patrulha Mecanizada







O prefeito Luciano Duque fará a entrega oficial das chaves da primeira patrulha mecanizada do município aos técnicos da Secretaria Municipal de Agricultura durante solenidade na manhã desta sexta-feira, às 9h, na Praça Sérgio Magalhães, no centro. As máquinas – uma retroescavadeira, uma motoniveladora e um trator de esteira – chegam à Capital do Xaxado através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
O evento contará com a participação de toda equipe de governo e da população, a grande beneficiada com a chegada dos equipamentos. O prefeito Luciano Duque adianta que o maquinário será útil, principalmente, nos planos do governo em restaurar as estradas vicinais do município. “Será de suma importância a chegada dessas máquinas porque vamos poder executar uma série de obras na zona rural com mais rapidez”, disse Duque.
Segundo o secretário de Agricultura Familiar do Município, José Pereira, o município já pode comemorar também a garantia da chegada de outras máquinas, em breve, que irão se somar ao conjunto entregue nesta sexta. “Ainda falta chegar mais máquinas. Essa patrulha ainda vai crescer com mais uma motoniveladora, uma caçamba e outra retroescavadeira também por meio do Governo Federal”, ressalta. (Assessoria de Comunicação)